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A bagunça

Sempre ouvi dizer que alguns móveis são como curvas de rio: conforme as coisas vão passando algumas acabam ficando amontoadas nas margens. Aquela cadeira de escrivaninha que não usamos todo dia, uma bicicleta ergométrica que compramos durante o isolamento social ou até mesmo a mesa de trabalho diária podem virar verdadeiros depósitos de roupas para dobrar, bolsas e outras coisas que, na correria do dia a dia, são colocadas na pasta “resolver depois” no fundo do cérebro.

Acontece que, na maioria das vezes, nós não somos desorganizados e incapazes de conter a nossa própria bagunça, temos que aceitar que a maioria de nós temos rotinas corridas e, entre buscar a criança na escola, dar comida para o cachorro, fazer janta e tomar um banho as vezes fica difícil lembrar de guardar cada coisa no seu devido lugar. Uma das formas que a arquitetura encontra para driblar os problemas da rotina é pensar neles como condicionantes para o projeto.

Sendo assim, se sabemos que vamos chegar em casa com duas sacolas penduradas nos braços e as mãos ocupadas com chaves talvez o mais sensato a se fazer é pensar em um lugar para jogarmos tudo de uma vez, porque sabemos bem que vez ou outra as coisas vão ficando pelo caminho, e está tudo bem.

Nem sempre a forma com que as coisas vêm sendo feitas é o que se adapta ao nosso estilo de vida, até porque nós estamos sempre em movimento e as coisas param de fazer sentido com a mesma rapidez que começam. Não é porque decidimos que as chaves deveriam ficar penduradas ao lado da porta que não podemos apenas deixa-las numa tigela ao lado da cama, ou porque decidimos que temos que dobrar as camisetas em gavetas que não podemos coloca-las dentro de um baú (ou apenas deixa-las num cesto no armário até a gente dobrar, sabemos que as vezes a preguiça é maior). O ponto é, pensamos em ambientes para nos sentirmos bem com a nossa vida dentro deles e, por isso, nossa vida precisa caber na nossa casa do jeito e formato que ela é, porque no fim do dia, iremos deitar na cama e recomeçar tudo mais uma vez e o mais importante é que a gente se sinta bem.


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